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Entidades queriam mais discussão
O Observatório Social e representantes de entidades de Maringá se reuniram na manhã de ontem com o presidente da Câmara Municipal, vereador Mário Hossokawa (PMDB), para pedir a retirada do projeto de reforma administrativa que corta 49 cargos comissionados, mas eleva a verba de gabinete de R$ 7,215 para R$ 11,7 mil por mês. A direção da entidade entende que o projeto trará pouca economia e pretendia que um novo fosse apresentado. Mas a Câmara rejeitou essa pretensão. O presidente do Observatório, Ariovaldo Costa Paulo, lembrou a Hossokawa que, porque os vereadores aprovaram um projeto que reduzia apenas 18 cargos, um grupo de 41 entidades procurou o prefeito Silvio Barros (PP) para pedir o veto a devolução da proposta à Câmara para, assim, dar à sociedade a oportunidade de participar das discussões. “Na época, os vereadores nos procuraram e fizeram uma proposta que pareceu razoável, porém acabaram votando e aprovando algo muito diferente”. Ele se referia ao projeto aprovado ontem. De acordo com Costa Paula, o novo projeto, que recebeu o apelido de Lei Sabóia, é praticamente igual ao anterior, chamado de Lei Macieira. “O que está sendo economizado na verba de gabinete do presidente está sendo transferido para os gabinetes dos vereadores. O montante de dinheiro continua praticamente o mesmo, apesar da redução de cargos”. Outro problema do projeto atual, segundo as entidades que se reuniram com Hossokawa, é a tentativa de mascarar gastos. A Lei Sabóia não cita os gastos com INSS dos comissionados que permanecerem, pagamentos de férias e 13º salário. O padre Antonio de Pádua Almeida, que, juntamente com o arcebispo dom Anuar Battisti, participa dos debates sobre as despesas da Câmara de Maringá desde a posse dos atuais vereadores, diz que o projeto não é suficientemente claro sobre a ocupação das funções gratificadas. “Existe o cargo, mas não se sabe como ele será preenchido”. De acordo com o representante da Arquidiocese, não haveria reclamação se os cargos fossem ocupados por técnicos, pessoas com capacidade para melhorar o desempenho do Legislativo, mas, segundo ele, a ocupação acontece por critérios eleitorais.
“Tudo leva a crer que os vereadores estão ignorando a opinião da população e fazendo escolhas pessoais”. De acordo com o padre Almeida, “sem saber o que cada um faz, fica difícil até cobrar uma melhor atuação de cada um”.
Fonte: O Diário do Norte do Paraná
