Temos observado que a sociedade civil brasileira tem se preocupado com a existência e o agravamento de inúmeros problemas deflagrados como a violência, a sonegação, a corrupção, a agressão ao meio ambiente, a falta de ética, a insegurança, entre outros. Para enfrentar esses problemas, essa mesma sociedade tem criado organizações sociais para o desenvolvimento de ações na tentativa de minimizá-los.
No município de Maringá, a sociedade civil, através de lideranças e representações de instituições, se articulou e formou a SER Maringá – Sociedade Eticamente Responsável, uma organização sem fins econômicos que tem por escopo promover a discussão e propor ações acerca desses problemas sociais.
O INÍCIO
Várias lideranças da comunidade maringaense, demonstrando estarem preocupadas com o crescimento de comportamentos sociais inadequados, propuseram a criação de um projeto que buscasse valorizar a cidadania e a ética. Destacam-se, nestas discussões, as denúncias de corrupção no governo municipal de Maringá revelado no ano de 2000 através da imprensa. O episódio resultou na prisão de um secretário municipal e em tentativas do Ministério Público Estadual de reaver o montante desviado.
O sentimento da sociedade maringaense diante dos episódios de corrupção no município se evidencia na citação abaixo retirada do tablóide número um, de novembro de 2004, intitulado Mercado Social e distribuído anexo com o Jornal O Diário do Norte do Paraná, edição do dia 14 de novembro de 2004:
Em Maringá, à semelhança de outros municípios brasileiros, convivemos por muitos anos com a precariedade dos serviços públicos prestados à população, enquanto um escandaloso sistema de corrupção fazia desaparecer o dinheiro público e crescer a dívida do Município, o que rendeu manchetes na mídia local e de todo o país. Apesar de todas as denúncias, a população não tomou medidas concretas para fiscalizar a utilização do dinheiro público, ao contrário, manteve-se indiferente como se os acontecimentos não lhes dissessem respeito (Suplemento Mercado Social, 2004, p. 7)
Dentro deste espírito, em agosto de 2003, um grupo de lideranças de diversas instituições do município de Maringá se reuniu para discutir a indiferença da população frente aos escândalos de corrupção, a não fiscalização do poder público, a crescente violência no trânsito, a sonegação de impostos, a ausência de civismo, a destruição do meio ambiente, a falta de ética, dentre outros temas.

O objetivo era envolver pessoas e instituições num movimento que gerasse ações de combate à corrupção e à falta de ética.
Estas lideranças iniciaram um processo de reflexão sobre como promover ações que motivassem cada cidadão a se dar conta dos problemas que o cercam e a despertar para uma responsabilidade participativa efetivada por meio ações e valores, pois em Maringá, como no restante do País, temos muitas pessoas que apenas lamentam ou fazem críticas destrutivas. Outros têm bons sentimentos, mas fogem da ação por medo ou não quererem se comprometer e, finalmente, uns poucos assumem o desafio de promover mudanças e de construir junto com a sociedade novos valores. (Suplemento Mercado Social, 2004, p. 7)
As discussões iniciais nas reuniões levaram o grupo a propor um trabalho de educação que possibilitasse à população a real compreensão do papel do tributo e a importância de cada cidadão fiscalizar a aplicação do dinheiro público.
Pensou-se, então, em uma campanha educativa voltada ao processo de mudança comportamental, em especial, ações voltadas à ética e ao civismo. A conclusão é de que a falta de amor à pátria e de uma formação ética e cidadã favorecem desde as pequenas transgressões até os grandes crimes do colarinho branco.
Frente a este diagnóstico iniciaram-se novas discussões para o desenvolvimento de trabalhos práticos que atingissem as escolas, os lares e a sociedade como um todo. Pensou-se em trabalhos em comunidades carentes voltados à inclusão social, pois quem está excluído não exerce a sua cidadania, e ao mesmo tempo um trabalho com alunos e seus pais das escolas particulares de ensino, pela falta de limites, desconhecimento da realidade social do país, falta de civismo, falta de solidariedade, sonegação de impostos, falta de educação para a cidadania, falta de educação para o trânsito e para a vida, agressões ao meio ambiente e desrespeito com o bem público.
Assim, após várias reuniões e discussões foram elencadas as seguintes linhas prioritárias de atuação a serem desenvolvidas pelo grupo: inclusão social, responsabilidade social, educação ambiental, educação para a cidadania, educação fiscal, educação para o trânsito, civismo, campanhas para o desenvolvimento cultural e mudança comportamental.

Primeiras ações |


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